quinta-feira, 17 de julho de 2014

NOVE DA MANHÃ (Edu Reginato)


Nove da manhã.
Sol se esgueira pela janela aberta.
Poeira cria um fog num raio de luz
Cerras cortam barcos, peixes são pescados.
Homens vagam com notas de dinheiro.
Mexilhões são cozidos no cais.
Carros passam sobre paralelepípedos.
Crianças gritam palavrões.
Uma barcaça passa apitando alto.
Soa a sirene para o trabalhador.
O mar parado tenta fugir para a Guanabara.
O céu está limpo, azul.
Correntes trinam ao serem desancoradas.
Vai-se o barco a motor.
De longe a ponte fervilha formigas metálicas
lindas coloridas brilhantes ao sol
O mundo se aviva cheio de barulhos e cheiros.
Cheio de sons, nunca silêncios.
Daqui não dá para escutar o canto da sereia.
Forço o ouvido, mas nada.
Ela chama os apaixonados para presenteá-los
com pérolas e colher suas lágrimas.
No fundo do mar não há lágrimas.
Tudo é salgado e escuro.
Lágrimas são limpas e agridoces.
Sereias gostam de lágrimas e
se entristecem pelos apaixonados.
Perguntam se queres ir para o fundo junto
com ela. Muitos vão.
Eu fico. Ainda acredito
em ver o mar, novamente, junto contigo.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

KARRAS (Edu Reginato)


Os olhos são uma beleza de Deus.
Sente falta dos olhos de Deus, meu amigo?
Será que são trevas aí dentro, amigo?

Olhando para ele vi um homem triste,
reservado,
perspicaz.
Qual é o endereço de sua solidão?
A solidão nesse mundo cheio de demônios.
Corre senão perde o ônibus!
Queria que sua mãe lhe abraçasse.
Te banhasse com suas lágrimas.
Te colocasse para dormir, ninar baixinho.
Queria que Deus cheirasse a jasmim.
Queria que Deus fosse um campo de margaridas.
Queria que brigadeiro fosse Deus.
Queria que coca-cola fosse Deus. Ou já é? Não sei.
Karras, estamos nessa. Perdemos a fé, amigo.
Não fique encabulado. A fé é um beija-flor.
Difícil de pegar, fácil de perder.
Perdi a fé lá de onde venho.
Perdi a fé no coração.
Você também, né, Karras?
Dá um abraço, amigo.
Quem a gente está querendo enganar?
A fé nunca desaparece,
ela só se torna náufraga no Si mesmo.
Quando podemos reencontrar nossa fé?
Sei que você logo vai encontrar sua fé,
sua paz.
Sabe aquela janela, daquela casa?
Você vai atravessar ela e
voar pro silêncio da noite.
Você vai morrer, Karras.
Você vai libertar a inocência, meu amigo.
Sua e da criança
que há dentro de mim, de todos.
O Mal está em não acreditar
na beleza do amor.
O amor vai te libertar, cara.
Não, não estou citando flower power.
Só estou acreditando em você.
Sei que você pode, Dimmy.
Lute por mim, lute pra eu acreditar
que o amor vence o Mal.
Karras, me dá outro abraço.
Te dou um pouco de coragem.
Vai dar tudo certo. Lute por mim.
Eu acredito em você.
Lute por todos que perderam
a força e a fé.
O demônio está cego e busca
um guia na escuridão.
Salve-me, Dimmy.
Voe pelo infinto da noite.
Eu nos perdoo.
Eu nos liberto.
Eu nos procuro.
E para lembrar procuro esquecer.
Tenha fé e reze por mim.

Karras, você me fez chorar.
Deve ser essa cara de pugilista derrotado.
Vittorio Gassman. Peppe, o pantera. Saca?
Falando nisso. Sabia que você parece o Gassman?

Deixa eu filar um Camel seu? Valeu.

PAZUZU (Edu Reginato)


Entendo você, cara. Até simpatizo.
Tem dias que sinto meus semelhantes
como porcos.
Normal. Dia ruim.
É de dar pena, a consciência.
Porca consciência humana,
estalagem baldia do teu inferno.
Turista que pousa como um corvo
Que cavoca as entranhas,
buscando conforto, comida, abrigo.
É isso demônio? Carência?
Ou seria reconhecimento?
Ou é uma troça?
Ou seria, melhor, uma troca?
Tua petulância pela nossa alegria.
Sua brutalidade por nossa arrogância.
Seu despropósito por nosso amor.
Somos palco para seu stand-up.
Um comediante mascarado de nossa carne.
É engraçado. Até Lady Gaga se veste de carne.
Então, por que não você?
Vestir nossso corpo de carne e customizá-lo.

Já amou, Pazuzu?
Sei que sim, irmão.
Todos demônios do mundo
já amaram.
Esse é um mal que 
ninguém escapa.
Todos um dia serão possuídos.

Vamos, cara! Leve-me contigo
nesse vento sudoeste
para Assíria, São Luís,
Londres, Niterói
Brasília, Marília
São Paulo.
Leve-me com sua tempestade,
Arraste meu espírito
para longe do meu corpo.
Despedace-o e polinize
o mundo com o que era eu.
Venha demônio, sua casa te aguarda,
Já está limpa e reformada.
Aluguel garantido. Boa vista.
Boa localização. Péssimo coração.
Mas, é uma pechincha.

Pegar ou largar.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

PARECIA... (Edu Reginato)


Parecia uma gaivota
era um morcego
parecia um peixe espada
era um cerrote
parecia uma sereia
era um pneu
parecia ser um navio
era um fusca
parecia ser você
era o horizonte

terça-feira, 1 de julho de 2014

PRINCESA POP (Romeu Reginato)



Seja branca como a neve
Use sapatinhos de cristal
Cante como se deve
Nas épocas de Natal
Dance serenatas
Domestique sua fera
Não importa o que faça
Nenhuma é como ela

Cabelo prateado
Parece de seda
Sua cor do pecado
As estrelas me lembra
 Pois nem no espaço há fronteiras
Que ela não tenha quebrado
Até mesmo o Spock
Já está todo gamado

Aos sábados e domingos
Saí para curtir
Aventuras cheias de perigo
Que com o Indiana possa dividir
Ela canta e dança
Como se não houvesse amanhã
E seu charme ela lança
Até ao Frodo e ao Sam

Seus olhos escuros
É uma viagem e tanto
Até Júlio Verne
Teve um suplente espanto
Sua magia encantadora
Me lembra da beira do mar
Que bruxa magnífica
Essa até Harry Potter quer beijar

De dia é princesa
Conforme o mandato
Mas de noite ela muda
Se torna Mulher-Gato
Bandida e heroína
Que combinação
Coitado do Batman
Ele sofre feito um cão

Garota esperta
Pequena poeta
Nem Shakespeare criou
Um Romeu à sua meta

POEMINHA (Romeu Reginato)


Poema tão pequeno, pequenininho...

QUI MEDO (Aisha Reginato)


U amor si poupa i uma menina belíssima
Domi i o vento bati na na janela i na  porta a
iscuridao aparece

Qui medo