quinta-feira, 23 de outubro de 2014

DIWALI (Edu Reginato)


Olhe para mim Vishnu,
meu nobre.
Aceite esse pedaço
de sol
das minhas mãos.
Alimente tua
bela esposa
com essa oferenda
que tirei de dentro de
mim.
Peço tua proteção.
Peço teu sopro
cósmico para
elevar meu atman
na purificação plena.
Olhe nos meus olhos
e veja a verdade
que outros não vêem.
Leve minha sombra
para perto da luz.
Leve minha luz
para todos
que amo.
O bem está acima
do mal.
Dissipe toda
a ignorância
alheia
e faça que
a luz nasça
de todos corações escuros.
Porque sei, agora,
que a luz não pode ser obtida
de fora.
A luz tem que renascer
de dentro para fora.
Assim, como essa lamparina
que te ofereço,
a luz tem que surgir
quando contemplamos
nosso íntimo
e descobrimos
nossa verdade.
Nos enganamos em buscar luz
nas coisas externas,
nos momentos fugazes,
nas coisas materiais,
nos prazeres mundanos.
Esquecemos que a luz,
está dentro de nós,
sempre esteve,
pode ser apagada,
mas a chama do conhecimento
faz luz em nós, lamparinas.
Nós somos o festival de luz
e não as oferendas.
Não podemos buscar
a luz externa para nos banharmos
enquanto não afastarmos a escuridão
com a chama minguante
de nosso coração.
Sem a luz interna
do conhecimento
não sabemos discernir
qual luz externa é benigna.
Tal como a mariposa
que busca luz,
podemos nos enganar,
queimarmos nossas
asas,
morrer.
Precisamos desvelar
para conhecer nossa
própria natureza,
despertar
a compaixão e
consciência 
para com a
unidade de todas
as coisas.
Querer se banhar de luz
é se enganar.
Acreditar que a luz
vem de fora,
é se entregar à ignorância,
ao vazio,
ao comodismo,
à cegueira.
Pois a luz externa,
sem descobrir a humildade
na luz interna, cega;
torna os seres arrogantes
e vaidosos
por uma sabedoria
e razão falsas.
Temos que produzir
nossa própria iluminação
para podermos
nos banhar de luz,
sermos luz.
Do contrário,
seremos sempre mariposas.

Feliz 2015, caro amor.
Luz e esperança para todo coração.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O MILÉSIMO DE SEGUNDO QUE DURA UMA PISCADA (Edu Reginato)


Toda briga tem um fim basta piscar.
Todo beijo tem um começo basta piscar.
Toda risada tem um início basta piscar.
Todo susto tem um momento basta piscar.
Todo suspiro tem ar basta piscar.
Todo abraço tem uma pegada basta piscar.
Toda dança tem um ritmo basta piscar.
Toda ironia tem uma verdade basta piscar.
Toda mentira tem uma verdade basta piscar.
Toda verdade liberta basta piscar.
Todos os olhos tem uma alma basta piscar.
Todo medo tem solução basta piscar.
Toda escuridão tem luz basta piscar.
Toda raiva pode morrer basta piscar.
Todo sonho pode nascer basta piscar.
Toda língua tem um estalo basta piscar.
Todo sabor tem um cheiro basta piscar.
Todo carinho tem uma origem basta piscar.
Todo amor pode acabar basta piscar.
Todo amor pode renascer basta fechar os olhos
e desejar.

TANTO SOBRE TUDO (Edu Reginato)


Aprendi sobre a
verdade,
o amor é verdade
com dor sem dor.
Aprendi que
gatos
são passagens
para lugares calmos,
tranquilos.
Aprendi que
que a beleza
não está no corpo
está na força de um
abraço e sorriso.
Aprendi que
portas são espaços
para guardarmos
lembranças.
Aprendi que silêncio
é um momento sagrado
que todos precisamos.
Aprendi que passado
é algo que fica lá atrás,
presente é algo que se vive
com força
e futuro é algo que se constrói
com confiança.
Aprendi que ilusões
movem moinhos
e não movem
montanhas.
Aprendi que além daquele céu
há uma galáxia contida numa
imensidão de outras galáxias,
além disso existem quadrantes incontáveis
até onde o infinito se dobra,
esse é o tamanho do meu amor.
Aprendi que o melhor sexo
é aquele em que olhamos um para
o outro e sabemos o que pensamos
e sentimos enquanto corações
saltam pelas bocas.
Aprendi a dormir
em paz por algum
tempo, pelo menos.
Aprendi que a melhor
cor das rosas é azul,
algo impossível, um mistério,
mas que busco
para realizar um
desejo.
Aprendi que todo
céu tem uma estrela
e que toda menina merece uma.
Aprendi que todo apartamento
guarda um segredo,
que daquela janela se vê
a lua,
que David Bowie estampa
o peito de uma rainha
que dorme ao som
do luar.
Aprendi que lobisomens
morrem no final do filme
e o que resta é um homem.
Aprendi que nos arcanos,
existe a torre que desmorona, mas
revela aquilo que é real
e real é tudo que se preza
com o coração,
é tudo que se preza com preocupação,
é tudo que se preza com cuidado.
Aprendi a dançar feitiçaria
numa nuvem de espumas e molas.
Aprendi que palavras precisam
de pausas, precisam respirar
como um bom vinho.
Aprendi que os melhores momentos
são os mais comuns e a banalidade
é uma coisa tão bela,
pois são tantos
esses momentos bons
que me sinto uma primavera.
Aprendi que monstros não existem.
Aprendi que todos tem medo e
que ninguém tem a razão suprema.
Aprendi que perder algo que importa
é a maior dor e que o coração
é muito forte porque suporta mais
que deveria.
Aprendi que cinema são poemas de amor
que compartilhamos juntos e separados.
Cinema é um lugar de memória,
onde você procura um momento
em que éramos espectadores apaixonados.
Aprendi que egoísmo é uma farsa,
uma idéia pronta que se
diz para afastar alguém,
mesmo sabendo do contrário.
Aprendi que a verdade
é algo muito difícil de provar
quando se acredita no contrário.
Aprendi que a verdade tem que
possuir liberdade como um pássaro
no céu.
Aprendi que certezas são certezas,
dúvidas são dúvidas
e mitos não existem tanto quanto
monstros.
Aprendi que sou real, humano,
diferente e imperfeito, mesmo que isso
faça diferença e isso não faz, porque os
diferentes se atraem.
Aprendi que o melhor lugar para chorar
é num abraço, é no conforto
de quem te abraça
e fala que vai dar tudo certo, mesmo que não dê.
Aprendi que lutar por alguém
vale todo suor, toda dor, toda perda.
Aprendi que o caráter, a vivência e os valores
são para serem compartilhados e revelados
como prova de confiança,
como prova de humildade e carinho.
Aprendi que a luz está sempre dentro
de nós, somos lamparinas,
somos Diwali,
somos um festival de luz
como vagalumes no estômago,
como vagalumes, não hemácias,
percorrendo nossas veias,
bombeando o coração de luz
e esperança.
Aprendi a não ter medo da morte,
mas ter medo de perder o amor de uma vida.
Aprendi que Frank Sinatra, Sammy Davis Jr.
e Liza Minelli, juntos,
me fazem sorrir.
Aprendi que sorrisos de queijo
são presentes bem-vindos e engordurados.
Aprendi que encanadores mancos
não são confiáveis.
Aprendi que mães são valorosas
e “Liz Taylor” era uma mãe
que até então não tinha
e sinto saudade.
Aprendi que Flannery O’Connor
era o livro da minha cabeceira.
Aprendi que todos são críticos,
e críticas são belas
porque nelas podemos
discutir pela noite toda,
contradizer, se irritar, sorrir,
dar gargalhadas.
Aprendi que amava
os vestidos no seu corpo,
amava gravatas,
amava tatuagens,
amava Dorothy,
sereias,
rosas.
Aprendi a escutar
teus poemas,
dormir escutando
sua voz declamando
sonetos em línguas
estrangeiras.
Aprendi a admirar
a força da natureza, a tua força.
Aprendi a admirar mulheres fortes, altivas
e doces.
Aprendi a correr mais para o que quero.
Aprendi que tempo dói e marca fundo
porque a vida é muito curta para se
parar o tempo e o tempo é aquilo que se
vive no agora, o tempo marca o presente
e um relógio parado
é apenas um relógio.
Aprendi que sua mão é pequena e branca,
a minha é escura e grande
e que era bonito a diferença
de cor
quando entrelaçadas.
Aprendi que o melhor lugar para você
era no meu peito e o melhor lugar para mim
era ao seu lado.
Aprendi que fui feliz
e encontrei em você a minha paz,
encontrei em você a bailarina
que dança lady gaga zapeando apple tv.
Aprendi que encontrava
você nos sorrisos e na lealdade
de seus amigos.
Aprendi a olhar nos seus olhos e vislumbrar
o universo.
Aprendi que Bruna é fofa,
que Filmes Proibidos é uma ilha
para onde eu levaria apenas você.
Aprendi que era hora de deixar o garoto
ir embora e ficar apenas o homem.
Aprendi que doenças são percalços difíceis e inesperados
e as dores, muitas vezes, nos fazem
usar bengalas.
Aprendi que o maior bem
é vermos a beleza das pessoas
mesmo daquelas que não gostamos,
não podemos interpretar pessoas,
Só podemos vive-las
para podermos entende-las
e não desvendá-las.
Aprendi a contemplar
uma mulher com um aspirador
como se fosse uma dança de Fred Astaire
em Royal Wedding.
Aprendi que dar banhos em cães é divertido
e que me recuso a lavar bolinhas de cães.
Aprendi a cuidar de quem se ama,
acordar cedo para dar remédio,
fazer pão com queijo derretido
e dar comida para os gatos.
Aprendi que um supermercado e um shopping
não são lugares assustadores quando
estava ao seu lado.
Aprendi a ver filme de uma maneira especial.
Aprendi a escrever melhor, a buscar a lógica
e não somente a fantasia.
Aprendemos tanto um com o outro.
Mas, aprender tanto sobre tudo
eu aprendi com você.
Podia ter continuado aprendendo.
O futuro seria um grande aprendizado.
Mas, perdi a garota tatuada da classe,
minha amiga, minha professora,
meu amor.

Minha lição para toda a vida.

domingo, 19 de outubro de 2014

O ESCORPIÃO (Anônimo)


Um mestre do Oriente viu quando um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água, mas quando o fez, o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou. Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse: 
— Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas às vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo? 
O mestre respondeu: 
— A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.
 Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida. Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam. Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, não é problema nosso... É problema deles.

sábado, 18 de outubro de 2014

FALTA (Edu Reginato)


Sinto sua falta.
Sinto muito.
Sinto todo segundo.
Sinto a perda.
Sinto tanto.
Todo dia,
procurando você
na cama.
Procurando seu
perfume no travesseiro.
Procurando seu reflexo
em espelhos.
Procurando você
em músicas e filmes.
Procurando você em mim,
como uma caixa de música
que quando toco
dança uma bailarina.

AMOR (Edu Reginato)


Amor é tempo.
Amor é relógio.
Amor é uma bola de chiclete
soprada como um beijo.
Amor é sacrifício.
Amor é luz
de uma lamparina na noite.
Amor é um ciclone,
coletivo de escorpião.
Amor é sumo,
lima, limão,
num copo de vodka
com gelo.
Amor é uma palavra, é palavra,
é promessa.
Amor é torre,
estrela, lua e sol.
Amor é saber
perde para encontrar.
Amor é encontrar
e saber perder.
Amor é um álbum
de fotos.
Amor é uma fita vhs
na prateleira.
Amor é um vinil
com uma única música
no lado A e B.
Amor é sal e açúcar.
Amor é desconhecido,
é medo, é desconfiança,
é frio na barriga,
é vento do sul.
Amor é susto.
Amor é voz.
Amor é acordar e dormir.
Amor é cheiro, é gosto.
Amor é luta,
é suor, sangue,
é decepção.
Amor é boa noite e bom dia.
Amor são olhos, boca,
pele, cabelos,
espelhos.
Amor é incompatibilidade,
incoerência.
Amor é ilógico.
Amor é dente-de-leão,
espalhado por suspiro.
Amor é ler no
rosto de quem se ama
as palavras que não
são lidas, são cantadas.
Amor é uma dança.
Amor é a mão no peito
escutando um coração.
Amor é tudo que não se vê.
Amor é a cegueira,
a escada para Hades,
a porta aberta no fundo.
Amor é um filme musical.
Amor é Gene Kelly,
dançando numa chuva de leite.
Amor é dedicação.
Amor é superar o medo da escuridão.
Amor é saber que tem alguém
para ligar o interruptor,
acender uma vela,
um isqueiro.
Amor é verdade,
é segurar a mão
e não largar.
Amor é um dia de cada vez.
Amor é não desistir quando
tudo é fim.
Amor é fim.
Amor é o depois do fim.
Amor é ser comum,
comum é extraordinário
porque o amor é
Imperfeição.
Amor é real, não uma ficção.
Amor é olhar para a mesma
lua estando longe.
Amor é calor, é frio,
é calafrio.
Amor é sede,
água com gás gelada
no meio da noite.
Amor é estragar tudo.
Amor é estrada.
Amor é covardia.
Amor é proteção.
Amor é perdoar.
Amor é sobrecarregar
a memória, o coração
de todas as coisas boas e ruins
de uma vida.
Amor é ser
é estar
é ir a lugar nenhum
é estar em todo lugar
sozinho
ou com a pessoa
amada.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

VENDO OS GATOS MIAREM (Edu Reginato)


Ela rolou do sofá.
Ele pulou de sopetão.
Ela mordeu o pescoço dele.
Ele, numa acrobática fuga,
pulou pelas almofadas acima.
Ela se desinteressou
correndo para se fartar
nos cadarços de um all-star.
Ele seguiu mais adiante,
deslizou pelo piso, saltou
e descobriu uma aranha
num canto.
Ela também queria saber
da aranha
Foi num pinote de um extremo
ao outro.
Ela assustou ele que estava
concentrado na aranha
que aproveitou a distração e fugiu.
Ele mordeu a orelha dela,
desaprovando a brincadeira.
Ela lambeu seu nariz.
Ele perdoou sua indelicadeza,
dando-lhe um banho de carinho.
Eles olharam juntos
para o outro lado da sala.
Aquele bicho pelado,
Observava eles, novamente, 
lá do sofá.
Tiveram pena do bicho
solitário.
Juntos miaram,
juntos foram até ele.
Juntos deram um banho
nos dedos da pata do bicho.
Juntos brincaram com os cabelos do bicho.
Depois deitaram sobre o peito
do bicho pelado,
olhando fixamente
para seus olhos castanhos.
O ronronar duplo
fez o bicho adormecer.
O coração do bicho adormecido
fez ele e ela dormirem também.
Cada um com seus sonhos:
cadarços, aranhas, luz,
mordidas, amor, liberdade,
confiança, almofadas, segurança
e carinho.
Nenhum miado, nenhuma tristeza.
Só um sono bom.
Os três ronronando
em paz
para no dia seguinte buscarem seu cantinho
de sol.